Voluntariado em tempos de pandemia? Claro que sim!

Foi esta a resposta dos voluntários da CASO – CAtólica SOlidária à proposta de continuarem o voluntariado à distância. Através de uma chamada telefónica ou de vídeo chamada, são já cerca de 25, os alunos que continuam a sua presença assídua neste momento mais desafiante. Atualmente, a CASO tem atuado em duas grandes frentes: apoio a alunos de todos os ciclos nesta adaptação à tele-escola e nas disciplinas que têm maiores dificuldades; acompanhamento de idosos em situação de isolamento social. 

Ficam aqui alguns testemunhos:

"Os idosos são um grupo de risco, não só no que toca ao vírus, mas também no que toca à solidão, desta forma continuei a fazer voluntariado à distância para que não se sentissem sozinhos nestes tempos de incerteza.Todas as semanas ligo aos meus idosos para saber como estão e incentivo-os a lerem o jornal, a verem um filme que irá dar na televisão, a escrevem um poema ou a contarem uma história sobre algo que lhes é querido.Para mim, estas chamadas são mais do que uma simples conversa, pois esta simples conversa muitas vezes é a única conversa que os meus idosos têm naquele dia."
Inês Nogueira, Escola Superior de Biotecnologia

"Nestes tempos, em que os ventos são de mudança, há coisas que não poderiam mudar: o compromisso que assumi no início do presente ano letivo. Não me refiro unicamente ao compromisso assumido perante a CASO mas também, e sobretudo, perante o aluno que acompanho. De facto, agora faz mais sentido do que nunca continuar a ajudar, com o meu conhecimento e carinho, este aluno. As sessões iniciar-se-ão na próxima semana, via Skype. Como tal, já planeei com a Encarregada de Educação estas sessões, com a duração de 30 minutos, cada, que se traduzirão, por exemplo, em conversas sobre os anseios e dificuldades sentidas pelo aluno, bem como em reflexões acerca de notícias do Mundo, que partilharei com ele via email. Afinal de contas, penso que o importante, em qualquer fase das nossas vidas, é partilharmos momentos juntos."
Margarida Matos, Escola do Porto da Faculdade de Direito

"Em primeiro lugar, quis continuar o voluntariado com a menina que acompanhava na Paróquia da Ajuda pois vivemos uma situação invulgar que nos proíbe de sair à rua, de estar com amigos, do contacto com o outro. Se a mim, que tenho 21 anos, me faz confusão esta realidade, a uma criança de 9 deve faz ainda mais. E foi exatamente isso que me fez querer continuar a ter contacto com ela: para que mesmo virtualmente ela conseguisse falar com alguém, tirar as dúvidas dela, ‘sair’ um pouco da realidade confinada que agora vive.
Por norma estaria 1h com ela na paróquia, mas virtualmente tenho estado 2h/3h porque sinto mesmo que o facto de estar a falar comigo e de fazer os trabalhos comigo a ajuda imenso. O meu trabalho com ela passa, então, por fazer os trabalhos que os professores mandam e falar. Falar sobretudo. Estar em confinamento não pode impedir que estas relações pessoais desapareçam principalmente com crianças que não percebem ao certo o que se passa."
Marta Aragão, Escola do Porto da Faculdade de Direito

Abril 2020

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